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Finlândia abandona tratado anti-minas pessoais e aumenta orçamento militar até 2029

02 abr, 2025 - 23:33 • Fábio Monteiro com Reuters

Finlândia anunciou a saída do Tratado de Ottawa, que proíbe o uso de minas antipessoais, e um aumento gradual do orçamento de Defesa até 3% do PIB em 2029, justificando a decisão com a crescente ameaça militar da Rússia.

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A Finlândia vai abandonar a Tratado de Ottawa, tratado internacional que proíbe a utilização de minas antipessoais, e aumentar as despesas com a Defesa para, no mínimo, 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2029.

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O anúncio foi feito na terça-feira pelo primeiro-ministro, Petteri Orpo, numa conferência de imprensa em Helsínquia.

O país escandinavo, que tem a mais longa fronteira terrestre da NATO com a Rússia, junta-se assim à Polónia e aos países bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia — que anunciaram no mês passado a sua intenção de abandonar o tratado de 1997, citando ameaças crescentes por parte de Moscovo.

“Retirar-nos do Tratado de Ottawa dar-nos-á a possibilidade de nos prepararmos de forma mais versátil para as mudanças no ambiente de segurança”, afirmou Petteri Orpo.

Apesar de sublinhar que “não há uma ameaça militar imediata” à Finlândia, o chefe do governo frisou que a Rússia representa “um perigo a longo prazo para toda a Europa”.

O plano prevê a alocação adicional de três mil milhões de euros (3,24 mil milhões de dólares) ao orçamento da Defesa, o que elevará a despesa militar dos atuais 2,41% do PIB para 3% até 2029.

O Presidente Alexander Stubb também reagiu, afirmando na rede social X que esta decisão representa “a contribuição da Finlândia para que a Europa assuma maior responsabilidade pela sua própria defesa”.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, os países do flanco oriental da NATO têm manifestado crescente preocupação com uma possível escalada do conflito, temendo que possam ser os próximos alvos de Moscovo, especialmente perante declarações recentes do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que prometeu pôr fim à guerra ucraniana caso volte à Casa Branca.

A Finlândia aderiu à NATO em 2023, rompendo com décadas de neutralidade militar, e começou a ponderar a saída do tratado em novembro passado, quando o seu comandante militar sugeriu a necessidade de debater o tema, perante o uso sistemático de minas antipessoais pela Rússia na Ucrânia.

“Usaremos minas de forma responsável, mas é um elemento de dissuasão de que necessitamos”, declarou a ministra da Agricultura e das Florestas, Sari Essayah.

A Finlândia destruiu mais de um milhão de minas após 2012, sendo o último país da União Europeia a aderir ao Tratado de Ottawa. O tratado, assinado por mais de 160 países, foi um dos principais instrumentos internacionais de desarmamento pós-Guerra Fria. A Rússia, no entanto, nunca o ratificou.

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