03 abr, 2025 - 09:00 • Marisa Gonçalves
Após o anúncio de uma série de novas tarifas comerciais, por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que incluem uma taxa de 20% sobre produtos da União Europeia, o economista João Duque entende diz que é de esperar uma quebra na procura, a nível do mercado grossista europeu.
“O impacto imediato é nós vermos que muitos grossistas importadores de bens europeus, muito provavelmente, vão começar a fazer as suas contas porque anteveem uma quebra de procura dos seus clientes. Se eles são taxados com aumentos de 20% de um momento para o outro, sem que os salários tenham qualquer aumento, naturalmente que a procura deverá ressentir-se. Os grossistas importadores deixarão de encomendar com tanta frequência e, naturalmente, que os exportadores europeus vão começar a ressentir-se”, sublinha à Renascença.
O Professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) diz ainda que é de esperar uma resposta por parte da Comissão Europeia, mas não acredita numa retaliação com a mesma proporcionalidade. João Duque entende que a reação de Bruxelas pode ter “um sentido mais político”.
“Vamos aumentar o custo dos consumos que temos, em muitos casos, de comprar aos Estados Unidos para incorporar nas nossas linhas de produção, só porque queremos retaliar? Qual é a vantagem? E se as nossas linhas de produção servirem para fornecer bens que depois exportamos? Então, estamos a aumentar o preço e a dificultar a exportação de produtos acabados que tenham componentes americanas? A reação deve ser cautelosa, até para mostrar uma diferença, no comportamento, face àquilo que é a administração Trump”.
Portugal exportou mais de 4,9 mil milhões de euros em bens para os EUA durante 2024. Só na última década, o peso das exportações para território norte-americano cresceu 30%.