05 abr, 2025 - 10:03 • Lusa
A junta militar no poder em Myanmar (antiga Birmânia) elevou para 3.354 o número de mortos devido ao sismo de 28 de março, anunciou este sábado a imprensa estatal.
De acordo com o jornal oficial Global New Light de Myanmar, os militares informaram no sábado que estão ainda contabilizados 4.850 feridos e 220 desaparecidos.
A junta sublinhou que as equipas de resgate --- incluindo pelo menos 16 equipas internacionais --- retiraram 653 pessoas vivas dos escombros e continuam à procura de desaparecidos, principalmente nas seis áreas em estado de emergência.
No anterior balanço, divulgado na sexta-feira, o portal de notícias birmanês Myanmar Now apontou para 3.145 mortos e 4.589 feridos, além de 221 pessoas dadas como desaparecidas.
A estação de rádio Democratic Voice of Burma disse ter confirmado mais de 3.900 mortes, com quase seis mil feridos e cerca de 720 desaparecidos, números que não foram confirmados pela junta militar.
Em 28 de março, um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter, com epicentro em Myanmar foi sentido em vários países do Sudeste Asiático, incluindo a Tailândia, onde um total de 22 pessoas morreram na capital.
Na sexta-feira, a Tailândia reconheceu que não conseguiu encontrar nenhum sobrevivente entre as quase 80 pessoas desaparecidas entre os escombros de um arranha-céus em construção na capital.
Também na sexta-feira, vários grupos rebeldes de Myanmar acusaram o exército de fazer ataques terrestres e aéreos em partes do estado de Kachin, no centro do país, apesar de terem declarado cessar-fogo temporário após o sismo.
O porta-voz do rebelde Exército de Independência de Kachin, Naw Bu, afirmou que os confrontos continuaram depois do anúncio do cessar-fogo, que deveria acelerar a entrega de ajuda humanitária a mais de 17 milhões de pessoas.
"Vimos que emitiram um comunicado a anunciar um cessar-fogo. No entanto, os ataques não pararam" por parte do exército, afirmou Naw Bu, acusando as forças da junta de atacarem as cidades de Bhamo e Indawgyi e de lançarem ofensivas em Waingmaw, perto da capital do estado, Myitkyina.
Os grupos rebeldes da região alertaram que o exército está a tentar assumir o controlo total de um corredor em algumas destas áreas, enquanto as forças alinhadas com o Governo de Unidade Nacional, que está no exílio, interromperam as suas operações.
Na terça-feira, a aliança rebelde birmanesa, composta pelo Exército da Aliança Democrática Nacional, o Exército de Libertação Nacional de Taang e o Exército de Arakan, tinha anunciado um cessar-fogo unilateral e temporário em resposta ao sismo.
O país está mergulhado numa crise grave desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021, realizado pelos militares para anular os resultados das eleições gerais de novembro de 2020. A repressão subsequente levou a uma guerra civil.