08 mai, 2020 - 07:05 • Isabel Pacheco
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No hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, a retoma dos cuidados de saúde está a ser feita de forma gradual. Mas, engana-se quem pensa que será rápida ou simples.
O alerta é do presidente do conselho de administração, Taveira Gomes, que não tem dúvidas que nada será normalizado antes de 2021.
“Enquanto houver Covid-19 e representar uma ameaça à saúde pública, não vamos conseguir retomar nada como era antes. Isso vai demorar o resto deste ano, no mínimo”, avisa o também diretor clínico, em declarações à Renascença.
Será um tempo de adaptação e de “esforço nacional” que “tem de ser colaborativo e organizado. Só assim podemos dar conta das listas de espera”, alerta Taveira Gomes, antecipando uma fase “complicada” e “particularmente exigente”.
O desafio, explica, está na duplicação de espaços e de recursos para os circuitos Covid e não Covid dentro do hospital.
“Há uma lógica de distribuição do espaço que não é totalmente reversível. Não conseguimos duplicar o hospital inteiro. Há espaços como o serviço de urgência que vai ter de funcionar em duplicado, tal como a área de internamento, que vai ter de funcionar em duplicado”, aponta.
Reportagem Renascença
Máscara. Mãos. Temperatura. São algumas das fases (...)
Trabalho há muito por fazer, reconhece Taveira Gomes, que faz o balanço dos atos médicos cancelados no último mês e meio: “até fim de abril, tínhamos 35 mil consultas que deveriam ter acontecido e, destas, conseguimos fazer 13 mil”.
Deste total, “mais de 10 mil” foram realizadas “de forma não presencial. Em termos de cirurgia, passámos a fazer cinco ou seis, em vez das 70 a 80 por dia”, acrescenta o clínico.
O reinício de “forma sistemática” dos atos médicos neste hospital de Matosinhos está previsto para 18 de maio. A aposta é nas consultas à distância em detrimento das presenciais, que “passam a ser de 30 minutos”.
“É o tempo necessário para rotação pela sala de espera para não acumular muita gente”, explica Taveira Gomes. “Já fizemos a simulação para não ter mais de 40 pessoas numa sala, que é perto do máximo de pessoas que podem estar em segurança. Depois vamos aprender no terreno e adequar”.
Tudo para evitar as salas de espera, um espaço que não vai desaparecer de vez, embora, a ideia fosse “encantadora”, admite o presidente do conselho de administração do Pedro Hispano.
“Vai ser permitida uma espera mínima e a tendência é para não haver nenhuma espera. E se demonstrarmos que somos capazes de lidar com isso, nunca mais regressamos a ter pessoas a chegarem duas horas antes da consulta ou, mesmo, sem consulta marcada”. Porque “tudo tem um tempo para acontecer. E o que ficou agora provado é que não temos tempo para perder tempo”, conclui.