26 fev, 2025 - 13:34 • Liliana Monteiro , Olímpia Mairos
O diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, disse, esta quarta-feira no Parlamento - onde foi ouvido a pedido da Iniciativa Liberal a propósito dos dados sobre criminalidade em Portugal - que não se pode fazer a relação direta entre imigrantes e criminalidade.
“O que nós fizemos foi colocar todos os detidos que a Polícia Judiciária fez desde 2009 até 2023, nacionais e estrangeiros”, começou por explicar, destacando que é a Polícia Judiciária “quem tem a criminalidade mais gravosa”.
Em audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, por requerimento da Iniciativa Liberal, Luís Neves salientou que “um imigrante é estrangeiro”, ressaltando, no entanto, que “um estrangeiro necessariamente não é um imigrante”.
De acordo com o diretor nacional da PJ, “as cadeias têm muita gente estrangeira presa que não é imigrante”.
“Foi partindo de 450 mil imigrantes em 2009 para depois, em 2023, para 1.044 646 imigrantes que fizemos o rácio entre mais imigrantes e menos detidos estrangeiros. Sendo certo que, nos detidos estrangeiros, a maior parte são cidadãos que utilizam o território nacional para o cometimento de crimes.
O diretor da PJ assegurou ainda que um migrante documentado em Portugal é menos propenso a cometer crimes.
"Os emigrantes, se forem inseridos, se tiverem um documento no mais curto espaço de tempo possível, tendencialmente não cometem crimes, porque estão a destruir todo o investimento que fizeram para vir para um território que pensam que vai ser seguro, onde vão fugir à fome, às violações, à morte esperada", explicou.
O responsável pela PJ garante ainda que "o imigrante procura ter, no mais curto espaço de tempo, um documento que lhe permita fugir das garras dos traficantes de seres humanos, das garras das associações criminosas de auxílio à imigração ilegal que o exploram e de patronato, que utiliza estas pessoas muitas vezes através de firmas de cedência de trabalhadores.
Luís Neves sublinhou também como preocupante o aumento de homicídios e violência doméstica, números que, disse, envergonham.
“Isto é uma vergonha nacional, estes crimes são cometidos na maioria das vezes por cidadãos nacionais”, declarou.
O diretor nacional da PJ revelou ainda que esta polícia tem detetados 22 modus operandi no cibercrime que geram burlas e fraudes que atingem os portugueses.
[notícia atualizada às 17h06]