26 fev, 2025 - 11:00 • Olímpia Mairos
A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Faculdade de Medicina (FMUC) e o Centro de Estudos Sociais (CES) estão a participar num projeto internacional que está a explorar tecnologias de computação quântica e inteligência artificial (IA) com vista a “revolucionar a deteção e prevenção de patologias gastrointestinais”.
De acordo com a academia, mais de dois milhões de novos casos de cancro colorretal são diagnosticados anualmente em todo o mundo.
Gabriel Falcão, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) de Coimbra, citado em comunicado, refere que “este tipo de cancro pode muitas vezes ser detetado precocemente graças à identificação de pólipos existentes no trato digestivo”.
“Em muitos países, os rastreios começam por volta dos 45 ou 50 anos, sendo uma ferramenta essencial na prevenção e diagnóstico precoce”, acrescenta.
Segundo os investigadores, atualmente procedimentos como a cápsula gastrointestinal, que gera cerca de 10 horas de imagens, e a colonoscopia, que produz uma grande quantidade de dados em apenas 20 a 30 minutos, criam desafios significativos na análise de dados.
“Num cenário ideal, se conseguíssemos fazer uma monitorização em massa de uma grande parte da população, o volume de dados gerado seria tão grande que nenhum computador clássico seria capaz de processar toda essa informação de forma eficiente”, assinala o responsável pelo projeto em Portugal, destacando que é aqui que entra a computação quântica.
Diferente dos computadores clássicos, a tecnologia é capaz de processar um grande volume de dados em tempo real, algo crucial para a análise de imagens e deteção de anomalias, cabendo, agora à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra desenvolver novos algoritmos de IA adaptados às capacidades da computação quântica.
“O objetivo final é criar algoritmos de IA que possam diferenciar de forma precisa imagens normais de imagens com patologias. Embora a tecnologia atual já permita detetar algumas diferenças, acreditamos que a computação quântica pode ser decisiva para aumentar a eficiência e precisão dos diagnósticos”, remata o investigador.
O projeto G-quAI arrancou em janeiro de 2025 e conta com o apoio do Open Quantum Institute (OQI), da Suíça, em parceria com o Geneva Science and Diplomacy Anticipator (GESDA), além da colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este projeto enquadra-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas: Saúde de Qualidade.
De acordo com a Universidade de Coimbra, o OQI tem como objetivo principal explorar o potencial da computação quântica na aceleração de soluções que permitam atingir os ODS, unindo forças de investigadores, das Nações Unidas, de Organizações Não-Governamentais (ONGs), e de investidores espalhados pelo mundo.