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Mortes por overdose aumentaram 16% em 2023

26 fev, 2025 - 09:00 • Anabela Góis

Em 2023, a cocaína esteve na origem de mais de 6 em cada 10 overdoses em Portugal. No mesmo período, foram abertos 10.614 processos de contraordenação por consumo de drogas. O haxixe foi a substância com o maior número de apreensões, seguida da cocaína, heroína, liamba e ecstasy, indica o relatório anual do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, a que a Renascença teve acesso.

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Em 2023, registaram-se 387 mortes relacionadas com consumos de droga, 80 das quais (ou seja 21%) por overdose.

Este número representa um aumento de 16% por comparação com 2022, assinala o relatório anual do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que está a ser apresentado na Assembleia da República, e a que Renascença teve acesso.

Ao mesmo tempo, o número de pessoas internadas por problemas relacionados com drogas aumentou 19% face a 2022, em Unidades de Desabituação, e 9% em Comunidades Terapêuticas.

A heroína é a droga mais consumida, mas nos últimos dois anos aumentaram os que consomem cocaína. Em 2023, a cocaína esteve na origem de mais de 6 em cada 10 overdoses.

Entre 2017 e 2022, houve uma descida relevante do consumo de droga, influenciada por uma queda do uso de cannabis. Apesar disso, aumentaram os consumos de risco elevado entre os mais jovens, em particular, na faixa dos 15 aos 34 anos.

O mesmo relatório indica que, nos últimos três anos, aumentaram os problemas relacionados com o consumo de drogas, entre os jovens de 18 anos - que continuam a ser mais expressivos entre os rapazes.

Em 2023, foram abertos 10.614 processos de contraordenação por consumo de drogas, o valor mais alto desde 2018. O haxixe foi a substância com o maior número de apreensões, seguida da cocaína, heroína, liamba e ecstasy.

Álcool. Descida do consumo entre menores

O relatório do ICAD não assinala também melhorias nos indicadores relativos ao álcool. Pelo contrário: verificaram-se agravamentos ao nível da idade de início do consumo, das prevalências do consumo, de embriaguez severa e dos consumos de risco elevado e da dependência, que quase quadruplicou em dez anos.

As prevalências de consumo binge e de embriaguez severa nos últimos 12 meses foram de 10% e 7% nos 15-74 anos (17% e 11% dos consumidores) e, de 13% e 10% nos 15-34 anos (22% e 17% dos consumidores), sendo mais prevalentes nos homens, embora com um menor rácio nos mais jovens.

O número dos que iniciaram tratamento por problemas relacionados com o uso de álcool atingiu nos últimos dois anos os valores mais elevados da última década.

Mas em 2023 houve menos mortes por intoxicação alcoólica, em acidentes de viação, e menos internamentos hospitalares diretamente relacionados com consumo de álcool.

Entre os jovens de 18 anos houve uma descida do consumo em 2023, embora os valores da embriaguez severa nos últimos dois anos tenham sido os mais altos desde 2015.

No que toca ao volume de vendas, os valores já ultrapassaram os níveis pré-pandémicos em quase todos os segmentos de bebidas alcoólicas.

Segundo a Autoridade Tributária, em 2023 venderam-se em Portugal Continental cerca de 612,5 milhões de litros de cerveja, 42,0 milhões de litros de outras bebidas fermentadas, 17,3 milhões de litros de produtos intermédios e 10,0 milhões de litros de bebidas espirituosas.

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