28 fev, 2025 - 09:07 • João Cunha , Olímpia Mairos
Várias escolas estão esta sexta-feira de portas fechadas devido à greve na Função Pública. A paralisação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), abrange sobretudo os assistentes operacionais das escolas. A greve também afeta a recolha de lixo.
Em declarações à Renascença, junto à Escola Marquesa de Alorna, em Lisboa, que está sem aulas, Sebastião Santana, da Frente Comum de Sindicatos, adianta que haverá vários estabelecimentos de ensino encerrados em todo o país.
“É cedo para fazer um balanço, no entanto, o cenário que estamos a assistir aqui vai-se verificar em todo o país”, diz, acrescentando que “há uma forte adesão dos assistentes operacionais a esta greve” que “não trabalham apenas nas escolas.
De acordo com o sindicalista, “haverá outros serviços, como cantinas de universidades, serviços de apoio nos mais variados ministérios e serviços que vão estar perturbados hoje”, salientando, no entanto, que a face mais visível desta greve será, seguramente, nas escolas de Norte a Sul do país, “onde já se estão a verificar encerramentos”.
Nestas declarações, Sebastião Santana diz ainda que os assistentes operacionais, que hoje estão em greve, não estão dispostos a esperar até 2027 para ver a sua vida a melhorar.
“Estamos a falar de trabalhadores que ganham pouco mais do que o salário mínimo nacional, este ano ainda por cima, com pagamento de IRS, coisa que nunca tinha acontecido até agora”, sinaliza, explicando que “o Governo, ao que parece, esqueceu-se de mexer nas tabelas de retenção e relega para 2027 a negociação de todas as carreiras gerais: técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais”.
“Foram três dias de greve, culminam hoje com uma adesão muito boa em todos os dias, o que significa que há um descontentamento generalizado”, completa.
Para o sindicalista é urgente iniciar as negociações com o Governo com vista aos aumentos salariais, considerando que “justo para já é sentarmos à mesa e negociar”.
“Os aumentos salariais não se prendem apenas com estas carreiras, prendem-se com todos os trabalhadores da Administração Pública”, assinala, acrescentando que a federação “acompanha a proposta feita pela Frente Comum - 150 euros com o mínimo de 15% para todos os trabalhadores, vai ser necessária uma valorização”.
“O Estado tem que dar o exemplo e, no caso dos assistentes operacionais, o exemplo que podia dar era pagar muito mais do que o salário mínimo nacional como base remuneratória da Administração Pública. Opta por não o fazer, fazendo um favor aos privados, justificando os baixos salários e desvalorizando completamente trabalhadores que são essenciais na Administração Pública, como se nota nestes dias de greve”, conclui.