19 mar, 2025 - 15:47 • Liliana Monteiro , com redação
A Polícia Judiciária (PJ) está preocupada com o aumento do tráfico de cocaína. No último ano foram intercetadas 23 toneladas daquela droga em Portugal, o número mais elevado dos últimos 18 anos, e detidas mais de 1.500 pessoas.
Artur Vaz, diretor da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, fala em redes criminosas cada vez mais organizadas e perigosas.
“Aquilo que neste momento mais nos preocupa é este grande tráfico de cocaína. Estamos a falar de tráfico altamente organizado, estamos a falar de verdadeiras multinacionais do crime, que possuem muitos recursos económicos e outros.”
Artur Vaz explica que, “sempre que possível”, estes grupos de narcotráfico “procuram infiltrar-se em setores estratégicos” e, associado a este tipo de tráfico existe sempre branqueamento de capitais e índices crescentes de violência”.
Na apresentação do relatório relativo ao combate ao tráfico de estupefacientes em 2024, a Polícia Judiciária explicou ainda que a cocaína surge cada vez mais dissimulada e depois é tratada por laboratórios instalados em território europeu.
A maioria dos detidos nas operações de combate ao tráfico de droga são de nacionalidade portuguesa e ficam em prisão preventiva. Segue-se depois as nacionalidades brasileira, cabo-verdiana, guineense, espanhola. À semelhança dos anos anteriores, a faixa etária dos detidos por tráfico de cocaína situa-se nos 40 anos ou mais.
Mais de 1.500 pessoas foram detidas em 2024 por tráfico de cocaína e 3.259 por tráfico de canábis.
O tráfico faz-se cada vez mais por via marítima, vindo na sua maioria da Colômbia, Costa Rica e Paraguai. Artur Vaz afasta a ideia de que Portugal seja a principal porta de entrada de droga na Europa. Admite, no entanto, que a via marítima é cada vez mais usada.
Por fim, o diretor da Unidade de Combate ao tráfico sublinhou a importância crescente das forças armadas nas várias operações, em particular o papel da Marinha.
[notícia atualizada]