21 set, 2015 - 08:40 • João Taborda da Gama
No sábado, num comício do PS, Carlos Silva, da UGT, disse, e passo a gritar: "Tornou-se moda malhar no PS (…). Como Jorge Coelho afirmou há uns anos, quem se mete com o PS leva”. Fim de gritaria. Não é inédita esta vontade do PS de malhar em que alegadamente lhe malha. Em 2009, Augusto Santos Silva confidenciava que gostava de “malhar na Direita”, mas que lhe dava “um especial prazer malhar nesses sujeitos e sujeitas (…) que gostam de se dizer de esquerda (…) chique”.
Mas uma coisa é uma confidência feita numa reunião interna do partido, como a de Santos Silva, que, mesmo tendo sido o estratega do socratismo, é um sociólogo, um académico, um intelectual; outra coisa, é uma ameaça de um sindicalista, em plena campanha eleitoral. É que desde a Marinha Grande que se conhece a apetência de algum sindicalismo pela arte do malhar… Sim, pode dizer-se que era o Partido Comunista, e eram outros tempos.
Mas todos nos lembramos de John Prescott, antigo sindicalista e Ministro de Tony Blair, que, numa campanha, ao ser atingido por um ovo, espetou um soco direto na cara do manifestante. Foi uma esquerda poderosa, e poderia ter custado a eleição aos trabalhistas. Mas o “New Labour” era uma esquerda tão poderosa que Blair se limitou, condescendente, a dizer aos jornalistas que... “John is John”. E limpou a eleição no primeiro round.
O problema - e voltando ao PS - é que Carlos Silva não é um John Prescott, nem sequer um Jorge Coelho. E isto lembra um antigo debate eleitoral norte-americano em que Lloyd Bentsen pôs Dan Quayle em KO, simplesmente dizendo: “Senator, you are no Jack Kennedy”.
Na semana em que Catarina Martins ficou na moda, e o PS, irritado, falou da moda de malhar, a Coligação vai dando a face e agradecendo os tabefes. E não é porque fazem PaF quando lhes acertam. O malhanço socialista adoça o sorriso cada vez mais angélico de Pedro e de Paulo, porque sabem bem que quanto mais o PS malhar na campanha, mais aumenta a probabilidade de, no dia 4, malhar nas urnas.