11 mar, 2025 - 15:54 • Lusa
O ex-secretário de Estado Hernâni Dias reafirmou ter consultado por telefone a Entidade para a Transparência (EpT) sobre o caso da criação de empresas imobiliárias enquanto era governante e negou pressões sobre uma técnica da entidade.
Em resposta à deputada do BE Joana Mortágua, o ex-governante afirmou que nunca disse ter "um parecer" da EpT, porque os contactos que manteve foram telefónicos com a técnica que estava a acompanhar os seus processos de declarações obrigatórios na entidade.
"Em momento algum me ouviu dizer que eu tinha um parecer. Eu disse que contactei a EpT, foi exatamente nesses termos. E não tenho culpa absolutamente nenhuma que os órgãos de comunicação social deturpem aquilo que foi aqui dito na audição do dia 4 de fevereiro e que depois inquinem aquilo que é a interpretação e as respostas que são dadas pelas várias entidades", declarou, numa audição na Comissão parlamentar do Poder Local, pedida pelo BE.
O ex-governante negou ainda qualquer pressão sobre a técnica superior da EpT com a qual contactava numa "relação enorme de confiança".
"Não senti ali nenhuma mal-estar da senhora relativamente ao meu contacto, nem pouco mais ou menos. Mas posso dizer-vos inclusivamente que a relação que mantínhamos era muito cordial, de uma pessoa extremamente solícita no fornecimento das informações", disse.
Hernâni Dias afirmou que sempre esteve "de boa-fé neste processo" e que lhe pareceu que "esta técnica jurista estava igualmente de boa-fé" nas respostas às informações que foi solicitando.
O ex-governante afirmou ainda que, após a audição de 04 de fevereiro no parlamento, em que afirmou ter estabelecido contacto com a EpT por causa das empresas, não voltou a contactar com a mesma técnica, uma vez que lhe foi atribuído outro contacto dentro da Entidade para acompanhar as suas declarações daí para a frente.
Antes, os deputados ouviram a presidente da Entidade para a Transparência, Ana Raquel Moniz, que considerou inverosímil que o ex-secretário de Estado tenha contactado o organismo antes de criar as empresas.
Ana Raquel Moniz disse ainda que uma funcionária se queixou de ter sido pressionada pelo governante.
Em janeiro, a RTP noticiou que Hernâni Dias criou duas empresas que podem vir a beneficiar com a nova lei dos solos, sendo que na altura era secretário de Estado do Ministério que tutela essas alterações.
O mesmo canal de televisão tinha revelado que Hernâni Dias estava a ser investigado pela Procuradoria Europeia e era suspeito de ter recebido contrapartidas quando foi autarca de Bragança.
Posteriormente, num comunicado enviado à agência Lusa, Hernâni Dias recusou ter cometido qualquer ilegalidade, afirmando que está "de consciência absolutamente tranquila" e que agiu "com total transparência".
O primeiro-ministro aceitou no dia 28 de janeiro o pedido de demissão do agora ex-secretário de Estado que, na qualidade de cidadão, prestou esclarecimentos no parlamento em 04 de fevereiro.
Nessa audição, Hernâni Dias afirmou ter contactado com a EpT para perceber se a sua posição como governante permitia a criação da empresa.
O organismo respondeu afirmativamente, disse, explicando apenas que Hernâni Dias não poderia ter a maioria do capital social da empresa, nem ser sócio-gerente, duas condições que não abrangiam a sua posição nas empresas.