18 mar, 2025 - 15:19 • Lusa
Pedro Nuno Santos visitou na manhã desta terça-feira o Hospital de Sintra, em fase final de instalação, tendo sido questionado sobre a decisão do Governo de lançar o processo de atribuição de PPP para cinco hospitais e sobre o que fará caso assuma responsabilidades governativas depois das eleições antecipadas de 18 de maio.
"O anúncio das PPP é uma forma de a senhora ministra e o primeiro-ministro assumirem a incompetência na gestão do SNS", acusou.
Segundo o secretário-geral do PS, o partido não tem "nenhum dogma" com este formato, "mas os problemas do SNS não se resolvem" com esta "fuga para a frente" da ministra da saúde, "anunciando cinco PPP nos hospitais, mais 170 PPP em centros de saúde".
"Não é para parar porque nem sequer começaram. A senhora ministra e este Governo, não conseguindo resolver os problemas, é uma forma de dizer ao país que o problema do SNS resolve-se entregando à gestão dos privados. O problema do SNS não é a gestão dos hospitais", respondeu.
Apesar de a ministra da Saúde ter conseguido que todos se focassem neste tema, para Pedro Nuno Santos "o problema central do SNS é a falta de médicos, a incapacidade do SNS de recrutar e reter médicos" porque "o problema não é de gestão".
"A senhora ministra e este Governo anuncia um conjunto muito amplo de PPP, sem um estudo que as justifique, e portanto nós não levamos a sério esse assunto e o nosso foco no SNS vai estar na forma de nós conseguirmos recrutar, reter e ter médicos no quadro dos hospitais", antecipou.
Para o líder do PS, é preciso "poupar na prestação de serviços" para se poder "pagar melhor aos médicos que estejam na disposição de ter um contrato em exclusividade com o SNS", uma proposta na qual Pedro Nuno Santos tem insistido.
"A saúde é uma área prioritária, fundamental, onde o Governo falhou em toda a linha. Área onde forma feitas muitas promessas, mas aquilo que temos assistido foi um conjunto sequencial seguido de trapalhadas", criticou.
Pedro Nuno Santos apontou o dedo ao Governo pela forma como tem gerido os problemas da saúde uma vez que "tem aumentado a insegurança dos portugueses nos que diz respeito ao SNS".
O líder do PS referiu-se a uma notícia desta terça que dá conta de um alerta de um movimento de médicos segundo o qual o fecho de urgências se agravar durante a partir do fim do mês de março.
"Isto só acontece porque temos um SNS que recorre de forma crescente a prestação de serviços e temos uma percentagem menor de médicos no quadro. Só vamos resolver isto se reduzirmos o recurso à prestação de serviços ao mesmo tempo que damos condições atrativas para recrutar e reter médicos no SNS", defendeu.
Insistindo que é preciso "uma carreira, em exclusividade, de adesão voluntária, para que o SNS possa ter médicos no quadro e não esteja tão dependente da prestação de serviços", Pedro Nuno Santos tinha começado por falar do futuro hospital que visitou nesta terça-feira de manhã.
"Estamos num hospital cuja construção foi financiada pela Câmara de Sintra, um investimento superior a 60 milhões de euros. Isso diz muito sobre a forma como o presidente Basílio Horta e o PS gerem autarquias tendo possibilidades e condições financeiras pata fazer este investimento", referiu, com o autarca ao lado.
Estando satisfeito com o investimento e o restante trabalho feito por Basílio Horta ao longo dos últimos 12 anos, o líder do PS defendeu que não se pode "sobrecarregar as autarquias com um investimento que é da administração central".