20 mar, 2025 - 22:54 • Diogo Camilo
A grande maioria dos portugueses acredita que as eleições legislativas antecipadas de 18 de maio poderiam ter sido evitadas e as culpas são partilhadas em igual parte pelo Governo de Luís Montenegro e a oposição do PS e Chega.
Na sondagem do ICS e ISCTE para a SIC e o Expresso estão espelhadas mais dúvidas do que certezas: quando questionados sobre em quem votariam se as eleições fossem hoje, a opção mais escolhida não foi qualquer partido, mas sim o "não sei ".
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Os indecisos registaram 39% das intenções de voto - a percentagem mais alta numa sondagem em Portugal desde pelo menos 2016, segundo os dados a que a Renascença teve acesso -, enquanto a AD, com 20%, fica à frente do PS, que tem 15%. Continua o empate técnico nesta sondagem, mas a percentagem de indecisos é tão grande que, mesmo se não houvesse, seria impossível atribuir a vitória à coligação de PSD e CDS.
📊A estimativa @rr.pt a 21/03/2025📷 Com #sondagem do ICS/ISCTE para SIC/@jornalexpresso.bsky.social AD: 30,9%🔼(+1,6) PS: 28,5%🔻(-0,1) CH: 16,7%🔻(-0,2) IL: 7,6%🔼(+0,1) BE: 2,6%🔻(-1,4) L: 2,5%🔻(-0,8) CDU: 2,5%🔻(-0,4) PAN: 0,7%🔻(-0,7) 🔍Comparação com 17/03 #SondagensRR
— Sondagem das Sondagens (@sondagemsondagens.rr.pt) March 21, 2025 at 2:35 PM
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A sondagem com maior percentagem de indecisos nos últimos 10 anos foi uma divulgada em janeiro de 2021, com 32% de inquiridos que não sabiam em quem votar.
Antes deste inquérito, na Sondagem das Sondagens da Renascença, a AD liderava a intenção de voto com 29,3% contra 28,6% do PS, com ambos em empate técnico.
Na sondagem divulgada esta quinta-feira, o Chega surge com 9%, enquanto a Iniciativa Liberal reúne 4% das intenções de voto. Bloco de Esquerda, CDU e Livre estão com 1%, enquanto o PAN tem menos que isso e está englobado nos "outros".
Esta é a sétima sondagem realizada desde que estalou a crise política e foi descoberta a empresa familiar de Luís Montenegro, que levou o primeiro-ministro a pedir uma moção de confiança que acabou chumbada no Parlamento a 11 de março.
O trabalho de campo da sondagem do ICS e ISCTE começou no dia seguinte, 12 de março, e decorreu até 17 de março, tendo sido entrevistadas 802 pessoas - a maior amostra de todas as sondagens divulgadas nas últimas semanas e, por isso, com menor margem de erro.
Nas outras seis sondagens anteriores, a AD surgia à frente em três delas e o PS liderava noutras três. Em geral, todas mostravam uma ligeira queda do Chega e uma subida da Iniciativa Liberal, com Bloco de Esquerda, CDU e Livre juntos no bloco de partidos de esquerda.
Questionados sobre quem teve responsabilidade sobre a queda do Governo e a ida a novas eleições legislativas, 37% indica que a culpa é mais do Governo e a mesma percentagem refere que a culpa é mais da oposição, enquanto quase 20% dizem ser de ambos.
Dentro deste número, um dado interessante: 14% dos inquiridos que votaram na AD nas últimas eleições apontam o Governo de Luís Montenegro como o principal culpado. A mesma sondagem para SIC e Expresso mostra que mais de 40% dos que votaram AD estão insatisfeitos com respostas do primeiro-ministro sobre a Spinumviva.
O inquérito indica também que 23% acreditam que Montenegro prestou todos os esclarecimentos que devia, enquanto 64% acreditam que ficaram coisas por esclarecer.
Sobre a opinião do primeiro-ministro, 39% dizem que a imagem de Montenegro piorou nas últimas semanas, enquanto a maioria (52%) dizem que ficou na mesma e 5% dizem que melhorou.
Ainda assim, 65% (ou dois em cada três eleitores) dos que votaram na AD dizem que o farão de certeza novamente a 18 de maio - uma percentagem maior do que em eleitores do PS e Chega.
Os socialistas são quem tem maior percentagem de eleitores nas últimas eleições que estão indecisos agora (29%), enquanto 10% dos que dizem ter votado no Chega nas legislativas de março do ano passado dizem que agora não vão votar ou vão optar por um voto nulo ou branco.