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Próximo Governo? "A imaginação do eleitorado ultrapassa sempre todos os cenários", diz Marcelo

24 mar, 2025 - 19:06 • com Lusa

Madeirenses preferiram "manter o que está", em vez do "risco da novidade -- que ali é uma novidade mesmo grande, uma vez que esta continuidade vem desde 1976". Sobreposição de campanhas legislativas e presidenciais "para uns é benéfico e para outros é maléfico".

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O Presidente da República assinalou esta segunda-feira a sobreposição de campanhas legislativas e presidenciais, considerando que isso "constitui um facto interessante" que "para uns é benéfico e para outros é maléfico".

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O chefe de Estado fez este comentário em declarações aos jornalistas, na sede da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, que o tinham questionado sobre a formação do próximo Governo, na sequência das legislativas antecipadas de 18 de maio.

"Temos uma circunstância muito especial, mas que é muito frequente no nosso país -- e até estranho que nenhum analista político tenha notado isso --, que é a sobreposição de várias eleições ao mesmo tempo. Já não falo das locais, mas as presidenciais e as legislativas", realçou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "não é a primeira vez" que isso acontece e deu como exemplos as campanhas legislativas e presidenciais de 1980, de 1985/1986, e de 1995/1996, com apoios partidários a candidatos presidenciais já apresentados durante as campanhas legislativas.

"Em muitos momentos da história política portuguesa aquilo que está a acontecer agora, que é a sobreposição de legislativas com presenciais, aconteceu no passado e isso constitui um facto interessante", considerou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, é interessante "porque as candidaturas às legislativas podem estar mais próximas ou não de certas candidaturas presidenciais, ou pré-candidatos ou candidatos presidenciais a pronunciarem-se, mesmo que não estejam próximos das candidaturas legislativas".

"Há um partido que já definiu numa moção de estratégia a preferência por um candidato da área do partido, e há um candidato da área do partido que avançou", apontou, numa alusão ao PSD e a Luís Marques Mendes, que apresentou em 06 de fevereiro a sua candidatura às presidenciais de janeiro de 2026.

O Presidente da República quis enfatizar como "a história política portuguesa está cheia dessas sobreposições, noutros casos até mais flagrantes", e rejeitou querer, com este comentário, deixar alguma mensagem relacionada com as eleições atuais: "Não, não".

Interrogado se a sobreposição de campanhas é benéfica ou não, respondeu: "Isso depois logo se vê. Para uns é benéfico e para outros é maléfico. Há uns que beneficiam com isso e outros que se prejudicam com isso".

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, nas legislativas em outubro de 2015, que se realizaram pouco antes das presidenciais de janeiro de 2016, às quais foi candidato, não houve sobreposição de campanhas, porque as candidaturas presidenciais foram mais tardias.

"Isso não aconteceu porque não havia candidatos [presidenciais] nos partidos situados à direita no momento em que são travadas as legislativas, e havia um esboço de candidatura de um candidato à esquerda, mas que não tinha sido ainda formalizada. E, portanto, isso não aconteceu", enquadrou.

Acabou o tempo das "garantias mínimas"?

O Presidente da República afirmou também esta segunda-feira que no passado se preocupou que houvesse "garantias mínimas" de viabilização do Programa do Governo no parlamento, recusando confirmar se essa é uma condição para a formação do próximo executivo.
Em resposta a perguntas dos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa considerou, sobre a próxima solução governativa, que "nem vale a pena cenarizar, porque a imaginação do eleitorado ultrapassa sempre todos os cenários que se possa ter considerado".
"É uma das lições que nós tiramos: que o eleitorado descobre sempre saídas, que da sua ótica são as preferíveis", reforçou.
O chefe de Estado tinha sido questionado sobre a notícia do jornal Expresso segundo a qual que, na sequência das legislativas antecipadas de 18 de maio, recusará uma solução governativa que não tenha garantias de ter o respetivo Programa do Governo viabilizado no parlamento.
O Presidente da República começou por responder que não fez "nenhuma declaração pública sobre isso".
Em seguida, falou do passado, referindo-se em particular à formação do atual Governo minoritário PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro, agora em gestão, ao qual deu posse em 02 de abril do ano passado.
"Compreender-se-á que logo na altura me preocupasse muito ter a certeza de não aparecer um Governo que não tivesse as garantias mínimas de aceitação do seu programa no parlamento", afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa referiu que nomeou o primeiro-ministro e os demais membros do Governo já "sabendo, porque isso era anunciado, que o Programa do Governo ia ser viabilizado, porque o PS tinha já anunciado isso", o que "dava uma garantia de o Governo ir arrancar".
"Restava a dúvida de saber se o Orçamento a seguir era viabilizado ou não, e trabalhou-se muito para que fosse, e foi", acrescentou.
Interrogado se a viabilização do Programa do Governo na Assembleia da República é uma condição para a formação do próximo executivo, o chefe de Estado respondeu que estava apenas a falar do que aconteceu no passado.
"Não vou pronunciar sobre o futuro por uma razão simples, porque neste momento tudo aquilo que eu possa dizer é uma intervenção e um ruído numa campanha eleitoral que deve correr por si", justificou.
A comunicação social perguntou-lhe se teme vir a deixar a chefia do Estado, em março de 2026, com um Governo em gestão, mas Marcelo Rebelo de Sousa recusou "cenarizar".
Nesta ocasião, o Presidente da República voltou a defender que nas eleições regionais de domingo os madeirenses optaram "pela continuidade, pela estabilidade", sem fazer extrapolações para as legislativas.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os madeirenses preferiram "manter o que está", em vez do "risco da novidade -- que ali é uma novidade mesmo grande, uma vez que esta continuidade vem desde 1976".

No domingo, o chefe de Estado realçou que "PSD com o CDS têm maioria absoluta" na Assembleia Legislativa Regional da Madeira.

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