02 abr, 2025 - 15:55 • Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou a que se faça "um esforço grande para que a governação dure mais tempo" tendo em conta o contexto global "muito difícil".
"Aquilo que se deseja é que, desta feita, porque a situação internacional é mais complicada, haja a preocupação de garantir uma legislatura o mais longa possível", afirmou o chefe de Estado, em resposta a perguntas dos jornalistas, no Palácio de Belém.
Segundo o Presidente da República, "é evidente que, sendo a situação muito mais difícil do que era há um ano, é necessário fazer um esforço grande para que a governação dure mais tempo".
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Marcelo Rebelo de Sousa considerou que quando se chegar à véspera das eleições legislativas antecipadas de 18 e maio os portugueses vão ter "o quadro todo" para decidirem o seu voto.
Questionado se antevê mais um ciclo eleitoral curto, o chefe de Estado respondeu que espera que as próximas semanas, até às eleições, "sejam esclarecedoras" e reiterou que "os debates vão ser muito importantes".
"É numa ocasião em que o mundo está a atravessar um momento muito, muito, muito difícil, mas, por isso mesmo, a escolha que os portugueses fizerem é uma escolha que é para valer por um período que se quer o mais longo possível", acrescentou.
O Presidente da República recusou comentar a pré-campanha para as legislativas. Interrogado sobre a eventual mistura entre iniciativas do Governo e do PSD, declarou: "Eu não me vou pronunciar, isso são questões de campanha eleitoral e de mobilização partidária, que é natural, da parte de todos os partidos, porque todos percebem como este ato eleitoral é importante".
Na semana passada, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que neste momento o Presidente não deve "ser um fator de ruído e de perturbação" e deve "esperar para, porventura, no dia da reflexão, na véspera das eleições, olhar para a campanha, olhar para o que aconteceu, e aí poder ir mais longe ou não".
Interrogado hoje sobre o que quis dizer com "ir mais longe" na véspera das eleições, o Presidente da República não respondeu diretamente à pergunta e manifestou-se convicto de que "os partidos, eles próprios, à medida que vai decorrer a campanha eleitoral, porque são eles os grandes protagonistas, irão esclarecendo aquilo que pensam em relação ao futuro".
"E, ao esclarecer o que pensam em relação ao futuro, dão o quadro total para os portugueses poderem escolher. Eu penso que, quando chegarmos, ainda falta algum tempo, quando chegarmos à véspera das eleições, os portugueses têm o quadro todo", completou.
O chefe de Estado apontou como elemento relevante para a decisão dos portugueses saber-se "o quadro do que os americanos já fizeram e vão fazer" e também "daquilo que os europeus vão fazer para reagir a isso" e "daquilo que é preciso fazer cá dentro, para que o próximo Governo dure o mais tempo possível".
Marcelo Rebelo de Sousa distinguiu estas legislativas antecipadas das do ano passado, realizadas em 10 de março de 2024, em função da "nova posição americana" assumida pela administração de Donald Trump e a política de tarifas que deverá ser entretanto conhecida.
"Há um ano não havia isso, há um ano ainda se esperava o resultado da eleição americana, agora sabe-se qual é o resultado, sabe-se quais são as consequências, sabe-se o que isso significa nas relações entre a América e a Europa", realçou.
Para o Presidente, neste contexto, "o fundamental" é os partidos dizerem "como é que vão atuar no futuro, que propostas de governo apresentam para o futuro".
No seu entender, "os eleitores vão estar sensíveis" à situação das relações entre os Estados Unidos da América e a Europa e "vão estar muito sensíveis a tudo o que signifique uma governação longa, o que signifique, portanto, uma estabilidade".