03 abr, 2025 - 17:31 • Tomás Anjinho Chagas
É difícil pensar que quadruplicar a bancada parlamentar podia tornar-se num problema, mas pode. Há um ano, o Chega passou de 12 para 50 deputados e saltou para a piscina dos partidos grandes, o problema é que isso subiu a fasquia de tal forma que agora é fácil ter um resultado pior do que nas legislativas de 2024.
Em véspera das legislativas de 18 de maio, André Ventura está a ultimar as listas de candidatos a deputados e, sabe a Renascença, o Chega está a pedir registo criminal e declarações de não-dívida às Finanças e à Segurança Social aos candidatos.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
A ideia é evitar crises internas que envergonham o partido, como o caso de Miguel Arruda, ex-deputado do Chega acusado de roubar malas.
"É para evitar casos chatos, logo à priori", resume uma fonte do partido à Renascença.
Ainda assim, não há uma regra fixa. "Há crimes e crimes", advoga a mesma fonte, que defende que casos como o de Nuno Pardal Ribeiro, ex-deputado municipal de Lisboa do Chega acusado de prostituição de menores, não podem ser comparados a Cristina Rodrigues, deputada do Chega acusada de crime informático (dos tempos em que estava no PAN).
Ou seja, estas exigências na hora de formar as listas, servem sobretudo para evitar casos mais bicudos, mas não é à prova de bala. "Vale o que vale", diz este membro do Chega, lembrando que há crimes que são limpos do cadastro e há julgamentos que ainda estão para acontecer e que não constam no registo criminal.
O próprio caso de Miguel Arruda é paradigmático. O ex-deputado do Chega, acusado de roubar malas, ainda não foi a julgamento, pelo que esse crime não está (para já) no cadastro do agora deputado não-inscrito.
As listas têm de ser entregues até à próxima segunda-feira no Tribunal Constitucional e o líder do partido, André Ventura, está a elaborá-las em circuito fechado. Até sexta-feira, o presidente do partido deve anunciar aos militantes os candidatos a deputados.
Num momento em que PS e PSD procuram o voto útil, o Chega debate-se com a questão do crescimento (ou não) eleitoral. Com as sondagens a baixar expectativas para os deputados e dirigentes do partido, continua a haver quem sonhe com o crescimento que André Ventura ambiciona publicamente, mas há quem seja mais conservador.
"Temos todos os cenários em cima da mesa", revela uma fonte à Renascença. No entanto, admite que há quem vá contando com a redução da bancada parlamentar que as sondagens apontam.
Mesmo os mais pessimistas, não antecipam uma hecatombe: "Ninguém coloca cenário de derrocada da bancada", assegura a mesma fonte.