06 abr, 2025 - 02:42 • Lusa
"A exigência em Viseu hoje é baixa, serviços mínimos. A exigência é curta, porque ganharam sempre os mesmos. E é fácil fazer o menos possível, porque ganharam sempre da mesma maneira", afirmou João Azevedo, no sábado à noite, durante a apresentação da candidatura, que contou com a presença do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos.
Perante mais de 1.500 pessoas presentes na sala, João Azevedo referiu que, se conseguir vencer a câmara, essa exigência será "a triplicar ou quadruplicar", porque todos os apoiantes do PS vão exigir "um grande trabalho e uma grande dedicação".
"Podemos ter poucas virtudes, mas há uma que temos: trabalhamos muito para provar aquilo que valemos", frisou.
O deputado parlamentar - que vai repetir a candidatura depois de, nas autárquicas de 2021, ter obtido 38,26% dos votos (quatro mandatos), contra os 46,68% do PSD (cinco mandatos) - garantiu que terá uma "relação aberta" com todos os presidentes de junta e que promoverá uma verdadeira coesão territorial.
"A Lei das Finanças Locais em Viseu é pouco cumprida, porque os presidentes de junta andam sempre de mão estendida para apanhar alguns trocos para fazer investimento nas freguesias. E connosco não será assim", assegurou o candidato, afirmando que, juntamente com as responsabilidades, os presidentes de junta receberão o envelope financeiro.
João Azevedo mostrou-se convencido de que, apesar de esta ser uma "candidatura dura", muitas pessoas que nunca votaram no PS o farão nas próximas eleições autárquicas.
Durante a noite de sábado, foram apresentados os candidatos às 25 juntas de freguesia, entre os quais o ciclista Nuno Bico (para a de Viseu). Foram também avançados alguns nomes da equipa, como o de Ricardo Almeida Henriques, filho do antigo presidente da Câmara de Viseu António Almeida Henriques (PSD), já falecido.
"Tens que ter coragem para estar aqui. Mas, mais do que representares o nome da tua família, tens a tua identidade e certamente nos vais ajudar muito a fazer um grande programa eleitoral", disse-lhe João Azevedo.
O vereador socialista apontou críticas ao executivo em vários domínios, como habitação, transportes, urbanismo, turismo, abastecimento de água e proteção civil.
João Azevedo aludiu ao plano que havia no anterior executivo municipal para criar no aeródromo de Viseu um centro nacional alternativo da proteção civil, com o acompanhamento do então ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro.
"Estava tudo escrito. O que é certo é que quer o complexo de proteção civil e segurança que ia ser colocado no aeródromo, quer a capacitação do mesmo aeródromo para alavancar mais e melhor e território, ficou na gaveta, porque era uma ideia e um projeto de Almeida Henriques e do Governo do PS", lamentou.
O candidato socialista, de 50 anos, foi autarca em Mangualde desde 2009 e deixou o mandato a meio, em 2019, para assumir o cargo de deputado na Assembleia da República.
Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu durante 24 anos (entre 1989 e 2013), foi a solução encontrada pelo PSD após a morte de Almeida Henriques, que já tinha sido indicado como recandidato pelo partido.