02 abr, 2025 - 12:30 • João Malheiro
O antigo diretor de informação da Renascença Henrique Mota recorda o "legado de paternidade" do Papa João Paulo II, no dia em que se assinalam 20 anos desde a sua morte.
À Renascença, o também fundador da editora Principia conta que a sua geração "viu o Papa João Paulo II ser eleito quando éramos muito jovens" e foi com ele que viveu a juventude, "o crescimento na fé e o comprometimento na igreja e na sociedade".
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"Olhando para trás, não tenho dúvidas que, no meu caso e no caso de muitos outros, as nossas vidas não teriam sido como são, se não tivéssemos tido este confronto com a palavra do Papa João Paulo II e os encontros com ele", recorda.
Henrique Mota acredita que o encontro entre os fiéis e o Papa João Paulo II, no Parque Eduardo VII, em 1982, "foi determinante para todas as juventudes que vieram depois". Esse momento, diz, foi "inspirador" do que acabaram por ser as Jornadas Mundiais da Juventude.
O antigo jornalista da Renascença refere que o Papa polaco "tinha a capacidade de unir e de juntar, olhando para todos com uma benevolência e profundidade".
"Lembro-me muito bem desse olhar. Talvez seja das coisas que me lembre com mais insistência. Cada um de nós que teve esse privilégio de cruzar os olhos com ele sentiu-se profundamente olhado", assinala.
Henrique Mota era um dos dois portugueses a acompanhar, em 1989, a visita do Santo Padre a Timor-Leste, Indonésia, Maurícias e Coreia do Sul, na altura com o microfone da Renascença. Recorda que João Paulo II olhou para os timorenses "como nunca antes ninguém tinha olhado".
O antigo jornalista lembra um discurso em Tasitolu, depois de um momento de confronto entre jovens e autoridades, em que "o Papa voltou para trás e ficou a olhar para aquela gente e a fazer sentir, na partilha, que estava com eles e se continuaria a preocupar com eles".
"No regresso a Jacarta, chegámos ao hotel e tínhamos a rádio Vaticano a explicar o que tinha acontecido, porque havia instruções da iniciativa do Papa João Paulo II, para proteger as pessoas que tinham lá estado. Foi um momento que me impressionou muito", sublinha.
Henrique Mota esteve, também, envolvido na organização da visita do Papa a Portugal, em 1991, e revela que teve a oportunidade de acompanhar de perto o Santo Padre´: "Não me lembro do que ele me disse, mas lembro-me do olhar".