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Exposição em Lisboa. Quando dois quadros que estavam separados há anos se encontram...

11 out, 2024 - 11:38 • Maria João Costa

“Piero della Francesca - o políptico de Santo Agostinho” é a nova exposição do Museu Nacional de Arte Antiga que abre esta sexta-feira ao público. Até 15 de dezembro poderá ver dois retábulos do artista do Renascimento que já estiveram juntos num políptico.

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É uma oportunidade para ver dois retábulos que já pertenceram ao mesmo políptico, mas que há anos estão separados. A nova exposição do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, que abre esta sexta-feira ao público mostra duas obras do pintor renascentista Piero della Francesca que pertenceram a um políptico pintado para um convento da Toscânia.

Patente até 15 de dezembro, a exposição “Piero della Francesca - o políptico de Santo Agostinho” junta na sala do Tecto Pintado do MNAA os dois retábulos, um deles pertencente ao acervo do museu português e outro ao museu italiano Poldi Pezzoli.

Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, o diretor do MNAA, Joaquim Caetano, explica como é que o museu integrou o retábulo de Pierro della Francesca no seu acervo.

“Chega ao museu através do leilão Burney, do banqueiro cuja coleção de pintura dá origem a um enorme leilão em 1937. Nessa altura, beneficiando um pouco até da posição económica que Portugal, já se estava no começo da Segunda Guerra Mundial, e o Estado disponibilizou uma verba muito importante para a compra de dezenas de peças nesse leilão, entre as quais esta pintura”, indica Caetano.

Sabe-se que o colecionador tinha “comprado a pintura na Áustria” e que então, não estava atribuída ao artista Piero della Francesca. Joaquim Caetano explica que foi “um diretor da National Gallery que a identifica, no final dos anos 40, como fazendo parte do Retábulo Agostiniano, feito para a Igreja do Convento dos Ermitas de Santo Agostinho”.

Este retábulo encomendado a Piero della Francesca em 1454 só foi concluído em 1469. O artista trabalhou sobre tábuas de um antigo retábulo barroco, indica Joaquim Caetano que explica que tratava-se de uma obra de grandes dimensões que acabou por ser separada.

“A tábua central, que era uma Assunção da Virgem, perdeu-se. Os pequenos painéis de predela onde tinham Santos e uma fiada, por baixo, com a Paixão de Cristo, também se perderam. Só resta um destes painéis que está na Frick Collection, e três painéis com figuras de Santos, que também pertencem à Frick Colection, de Nova Iorque”.

Joaquim Caetano acrescenta ainda que “restam quatro figuras de Santos em quatro grandes tábuas que ladeavam o corpo central do retábulo da Assunção da Virgem”. Essas quatro obras “conhecessem-se felizmente, todos”, sublinha o diretor do MNAA.

“Há um São Nicolau Tolentino, no Museu Poldi Pezzoli, um São João Evangelista, que pertence também a Frick Collection e um São Miguel Arcanjo, que pertence à National Gallery, paral além do nosso Santo Agostinho”, do MNAA.

Duas dessas obras, expoente máximo do renascimento, são agora reunidas na exposição do MNAA que coloca em confronto o São Nicolau Tolentino, no Museu Poldi Pezzoli e o Santo Agostinho do museu português.

O diretor do MNAA explica, contudo que a exposição patente em Lisboa dá também uma panorâmica do que seria o retábulo. “Vamos mostrar a reconstituição do retábulo. É uma reconstituição possível a que se chegou, depois da conclusão dos estudos”, indica Joaquim Caetano

“Vamos mostrar um vídeo onde as conclusões científicas deste estudo comparativo são apresentadas pela primeira vez. Vamos olhar para as duas pinturas e vamos ter um olhar sobre a nossa pintura, que não é o olhar isolado que normalmente o visitante tem”, destaca o diretor como a mais-valia da visita a esta exposição.

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