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Gérard Depardieu, "monstro sagrado" do cinema francês, começa a ser julgado por violência sexual

24 mar, 2025 - 09:30 • Eva Massy, correspondente da Renascença em Paris , André Rodrigues

Depardieu incorre até cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa. O ator foi acusado de ter comportamentos idênticos por cerca de vinte mulheres nos últimos seis anos.

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Peça da correspondente em França Eva Massy sobre o julgamento de Gérard Depardieu
Ouça o relato da da correspondente da Renascença em França, Eva Massy

Gérard Depardieu já está a ser julgado esta segunda-feira no tribunal penal de Paris, acusado de agressão e violência sexual a duas mulheres.

Aos 76 anos, o "monstro sagrado do cinema francês", como é conhecido, comparece pela primeira vez perante a justiça, apesar de dezenas de denúncias nos últimos seis anos. Depardieu incorre até cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa.

Os factos terão ocorrido durante as filmagens do filme "Les Volets Verts", em 2021. Gérard Depardieu, 72 anos na altura, interpretava um ícone do cinema em decadência, envelhecido e roído pelo álcool. Esta segunda-feira, é no seu próprio papel que Depardieu deve responder perante a justiça a duas queixas.

Na primeira, uma decoradora do filme, Amélie, 53 anos, acusa-o de agressão sexual, assédio sexual e comentários sexistas, factos alegadamente ocorridos em 2021 num hotel particular do muito chique 16.⁠º bairro de Paris.

O ator, que incorre até cinco anos de prisão e 75 mil euros de multa, será ainda julgado por violências sexuais, numa outra queixa apresentada pela assistente de realização do mesmo filme.

Conforme os relatos da segunda denunciante, Depardieu brutalizou-a e insultou-a aos olhos de toda a equipa técnica, antes de ser levado pelos seus guarda-costas fora dos locais de filmagem.

Acusações que o ator sempre negou, tal como as outras dezenas de denúncias ocorridas nos últimos seis anos.

"Jamais abusaria de uma mulher" escreveu na altura Depardieu, numa carta aberta publicada no "Le Figaro". Na imprensa, o advogado de defesa descartou a veracidade das denúncias, referindo-se a "falsas alegações".

Esta segunda-feira, em declarações à BFMTV, o advogado do ator acredita que o caso deixará de ser condenatório e "vai passar a ser um caso que vai ser favorável a Gérard Depardieu".

"É totalmente falso. Todas as pessoas que eles apresentaram como testemunhas de acusação acabarão por tornar-se testemunhas de defesa. Há 19 pessoas que confirmaram que não era possível e que se tivesse havido tal incidente, tal agressão, com tal violência", defende Jeremie Assous.

O julgamento arrancou com a defesa e o advogado a questionar a viabilidade das testemunhas da acusação. Jeremie Assous pretende que o caso seja descartado.

O processo, inicialmente previsto para outubro 2024, tinha sido adiado devido ao estado de saúde "preocupante", disse na altura o advogado de Depardieu.

Figura emblemática do cinema francês no mundo inteiro, Gerard Depardieu foi acusado de ter tido comportamentos idênticos por cerca de vinte mulheres nos últimos seis anos.

Vários casos prescreveram e é a primeira vez que comparece perante a justiça, mas a lenda do cinema deve ainda responder por "violação e agressão sexual" à atriz Charlotte Arnoux.

Conhecido pelos seus comportamentos excessivos e declarações injuriosas, Depardieu acabou por se afastar do mundo do cinema e interromper a carreira em 2023. No entanto, este ano, Gérard Depardieu deve participar nas rodagens de um novo filme, nos Açores, entre abril e maio.

Fanny Ardant vai filmar em São Miguel, Açores, a longa-metragem "Ela olhava sem nada ver", com Gérard Depardieu, Victoria Guerra e Ana Padrão no elenco.

[Atualizado às 14h20]

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