03 abr, 2025 - 11:43 • Lusa
O médico Paulo Mendo, que foi secretário de Estado, por duas vezes, e ministro da Saúde, entre 1993 e 1995, morreu esta quinta-feira, aos 92 anos, no Hospital de Santo António, no Porto, disse à Lusa fonte desta unidade hospitalar.
"O Prof. Dr. Paulo Mendo faleceu esta madrugada no Hospital de Santo António", anunciou o diretor clínico do Hospital de Santo António, José Barros, numa mensagem escrita enviada à Lusa.
O primeiro-ministro Luís Montenegro considerou que o médico e ex-ministro Paulo Mendo foi "um exemplo para todos" nos cargos políticos que exerceu, sobretudo na área da Saúde.
"Paulo Mendo dedicou muito da sua vida aos outros. Em cargos políticos, mas sobretudo na área da saúde, foi um exemplo para todos. Nesta hora de pesar, deixo as mais sentidas condolências aos familiares e amigos", escreveu Luís Montenegro na sua conta da rede social X.
Adalberto Paulo da Fonseca Mendo, que nasceu em Lisboa em 3 de outubro de 1932, filho de um engenheiro transmontano deslocado e de mãe amarantina, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1949, à época agregada ao Hospital de Santo António, tendo-se ligado ao MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática).
Paulo Mendo chegou a cursar Belas Artes, mas voltou a Medicina, e foi preso pela PIDE durante dois meses e meio, juntamente com membros de associações académicas.
Formou-se em Medicina e ingressou no recém-inaugurado Hospital Escolar de São João, no Porto.
"Fascinado pelo neurocientista Corino de Andrade, ingressou ao Hospital de Santo António e foi orientado para a Neurocirurgia. A necessidade levou-o a improvisar técnicas radiológicas aplicadas ao sistema nervoso, acabando por se diferenciar nesta área, fundando literalmente a especialidade de Neurorradiologia, em Portugal e no mundo, com a ajuda de José de Almeida Pinto", sublinha José Barros.
No início dos anos 60, Mendo foi para Rabat (Marrocos), por oposição à guerra colonial, onde fundou o primeiro Serviço de Neurocirurgia de Marrocos, com Mário Leão Ramos, regressou a Portugal e ao Hospital de Santo António em agosto de 1974, tendo integrado a Comissão de Trabalhadores.
Paulo Mendo foi um político republicano e laico, que transitou do marxismo, para o reformismo e para social-democracia.
Foi diretor do Serviço de Neurorradiologia (1976-2000), diretor do Hospital de Santo António (1988-1993), presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (1984-1988), secretário de estado da Saúde (governo de Mário Soares, 1976-1977), secretário de estado da Saúde (governo de Pinto Balsemão, 1981-1983) e ministro da Saúde (governo de Aníbal Cavaco Silva, 1993-1995).
Segundo José Barros, "colaborou ativamente" na preparação do Decreto-Lei 310/82, o diploma das carreiras médicas e aposentou-se no ano 2000. Em 2015, presidiu às comemorações dos 75 anos de Neurologia e Neurociências no Norte de Portugal (NeuroPorto.75).
Paulo Mendo manteve-se interveniente em matéria de Saúde, destacando-se os seus alertas contra a burocratização e o subfinanciamento crónico do SNS.
[notícia atualizada às 15h26 de 3 de abril de 2025]