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Apagão? PS e PSD admitem que energia precisa de consenso político
Oiça aqui o episódio especial do São Bento à Sexta, emitido nesta segunda-feira de apagão em Portugal

Apagão? PS e PSD admitem que energia precisa de consenso político

29 abr, 2025 • Tomás Anjinho Chagas


Hugo Soares (PSD) e Alexandra Leitão (PS) discutem o apagão, o défice, as dificuldades de recrutar na política, os consensos entre os partidos e os problemas nas urgências, numa edição especial do programa, no Evento Fora da Caixa, em Torres Vedras.

O apagão que deitou a energia abaixo esta segunda-feira leva os dois maiores partidos a assumir que o setor da energia deve merecer consensos políticos.

Durante o São Bento à Sexta, programa de política semanal da Renascença, numa edição especial, no Encontros Fora da Caixa, em Torres Vedras, esta segunda-feira, os líderes parlamentares do PS e PSD concordaram que há áreas que merecem entendimentos a longo prazo e alguns acordos entre os maiores partidos, e que a energia é um setor onde isso é necessário.

Hugo Soares assinalou que o programa - gravado graças a um gerador - fazia com que as pessoas presentes no Encontro (com público a assistir) estivessem a viver uma "realidade paralela", porque a meio da tarde desta segunda-feira a esmagadora maioria do país estava sem energia, e vinca as fragilidades que a nossa sociedade tem ao estar tão dependente da corrente elétrica.

"As pessoas estão a sair do trabalho porque não há luz, ou em casa com os frigoríficos desligados, com impossibilidade de terem água quente, de carregar o telemóvel, com as redes sobrecarregadas que não deixam ligar para saber onde está a família. Isto, de facto, leva-nos para reflexões mais profundas", afirma o líder parlamentar do PSD.

Alexandra Leitão, líder da bancada socialista, acredita que este apagão é um abrir de olhos para os partidos políticos, e para a necessidade de o país ter algumas que se desenvolvem independentemente da cor política que está no poder.

"Esta situação é uma lição de humildade, temos de perceber que em Portugal, num Portugal com a economia aberta, perante situações disruptivas, temos de atuar com responsabilidade e sentido de colaboração", defende Alexandra Leitão.

Do lado do PSD, Hugo Soares vinca que "é uma evidência" que a energia seja uma das áreas que merece consenso político, que precisa de "estabilidade" para que os privados invistam num setor "rentável" e um setor "absolutamente estratégico para o país".

O mesmo se ouve dos socialistas. Alexandra Leitão considera que "não é preciso que haja um Bloco Central formal para que investimentos de grande monta, o Governo deve conversar e tentar acordar com o maior partido da oposição".

Hugo Soares: “Os políticos são mal pagos”

Outro dos temas em debate foi a dificuldade que existe em recrutar quadros independentes para a política. O líder parlamentar do PSD admite que muitas pessoas do mundo empresarial não querem sujeitar-se a um escrutínio semelhante ao que foi aplicado a Luís Montenegro no caso Spinumviva.

Hugo Soares compreende que "são ordenados acima da média", mas vinca que com a responsabilidade que têm, os salários não conseguem competir com o setor privado. "A política é mal paga, os políticos são manifestamente mal pagos", considera o secretário-geral do PSD.

O líder da bancada social-democrata lembra "sem falsa modéstia" que foi ele a sugerir o fim dos cortes da troika no salário dos políticos e assume que "ninguém está para ter os níveis de escrutínio que a política tem". Hugo Soares separa as águas, dizendo que "uma coisa é escrutínio, outra coisa é voyeurismo", numa alusão à pressão que foi feita sobre o primeiro-ministro no caso que envolve a sua empresa familiar.

Apesar de não concordar que a atuação da oposição tenha resvalado para o "voyeurismo", Alexandra Leitão assume que tem de haver uma distinção clara entre o que é considerado o escrutínio dos políticos e a violação da privacidade dos titulares de cargos públicos.

A agora candidata pelo PS à Câmara de Lisboa assume que há dificuldades em atrair quadros para a política: "Sim, às vezes é complicado porque as pessoas não se querem colocar em situações que não são compensadoras do ponto de vista financeiro", aponta Alexandra Leitão.

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