26 fev, 2025 • Tomás Anjinho Chagas
O antigo deputado do PSD, Duarte Pacheco, rejeita que o Governo esteja a ser vítima de uma cabala, na sequência de várias notícias sobre membros do Executivo que detêm sociedades ligadas ao setor imobiliário.
Durante o programa Casa Comum, da Renascença, o social-democrata compara a teoria que circula no núcleo duro de Luís Montenegro, segundo o Observador, com o que alegava José Sócrates quando era primeiro-ministro.
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"Como nunca concordei com a teoria da cabala, que era utilizada por alguns membros do PS, não vou subscrever esta", diz Duarte Pacheco, que reconhece, no entanto, que o Governo tem tido enormes dificuldades em desenvencilhar-se destes temas que orbitam em torno da lei dos solos.
O antigo deputado do PSD entende que o Governo esteja "incomodado" porque tenta governar e a "mensagem não passa" no meio das polémicas que Pedro Nuno Santos cunhou de "casas e casinhas".
Sobre eventuais conflitos de interesse do primeiro(...)
Do lado do PS, Mariana Vieira da Silva, que foi ministra no Governo de António Costa que passou meses enleado nos "casos e casinhos", lamenta a vitimização do executivo da AD.
"É espantosamente cedo para um Governo assumir esta atitude e é um sinal contrário ao que eu acho que seria o fim deste caso, que é passar a haver uma relação diferente com a comunicação social", introduz a socialista.
Mariana Vieira da Silva avisa: "Antecipam que vão deixar de responder às perguntas de alguns jornalistas por considerarem ser uma cabala, nunca nenhum governo foi bem sucedido com essa atitude".
A antiga ministra da presidência reconhece que é "problemático" um governo não conseguir "cumprir a sua agenda" porque o espaço mediático está sempre ocupado por "outros assuntos".
E admite que sentiu isso durante um período da governação da maioria absoluta. "Faz parte", frisa Mariana Vieira da Silva.
No momento de debate sobre temas internacionais, o acordo iminente na Ucrânia foi o destaque. Washington e Kiev devem fechar as negociações sobre a exploração das terras raras no fim da semana.
Duarte Pacheco considera que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conquistou uma vitória ter retirado o endividamento do país deste acordo e elogia a resposta que deu ao presidente dos Estados Unidos da América.
"O que ele [Donald Trump] queria era o pagamento daquilo que tinha sido fornecido antes, e não é assim, é para o futuro. Isso é uma vitória. Ao contrário de Putin, esse sim um ditador, Zelensky respondeu e disse 'se o problema for ter a paz eu saio já' e isso mostra sensibilidade política para responder a Trump", defende o ex-deputado do PSD.
Duarte Pacheco refere-se às declarações do presidente americano sobre Zelensky, em que acusou o atual líder ucraniano de ser um "ditador" por não ter ido a eleições desde que começou a guerra, nos últimos três anos.
Mariana Vieira da Silva, deputada do PS, afirma que "ficamos todos incrédulos" com algumas das intervenções de Donald Trump, e pede ao Governo para assumir as suas posições quando isso se justificar.
"É preciso que os países não tenham receio de falar sobre estes temas, como me parece que o Governo tem tentado fazer. É preciso ter a capacidade de falar, conversar e criticar", defende a antiga ministra da presidência.
Sobre um possível acordo de paz, Mariana Vieira da Silva advoga que "uma [possibilidade] meramente assente num acordo sobre metais raros" pode vir a ser "manifestamente precário" e apenas serve para a Rússia ganhar tempo e voltar a invadir a Ucrânia.
Questionados sobre os recentes resultados eleitorais na Alemanha - que devolvem o poder à CDU (centro-direita), empurram o SPD (centro-esquerda) para terceira força política e catapultam a AfD (extrema-direita) para o segundo lugar -, Duarte Pacheco avisa que o provável acordo de Governo entre a CDU e o SPD tem enormes riscos.
"Percebo a tradição alemã de não ter governos minoritários e que haja um governo de bloco central, mas oposição pura e dura para a AfD é assustador, a menos que queiramos que a AfD lidere o próximo Governo", antevê o social-democrata.
Mariana Vieira da Silva olha com "preocupação" a falta de uma maioria de dois terços no Bundestag (parlamento alemão) pela inflexibilidade orçamental.
"Vejo como muito positiva a disponibilidade que o futuro chanceler [Friedrich Merz] mostrou de resolver o tema do travão da dívida, sem isso será muito difícil a Alemanha recuperar do ponto de vista económico", defende a dirigente socialista.