28 fev, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
O comentador da Renascença Henrique Raposo entende que Kamala Harris faria com a Ucrânia, caso fosse Presidente dos Estados Undios, o mesmo que Donald Trump está a fazer.
“Com a Kamala, estaríamos no mesmo momento, a fazer exatamente a mesma coisa”, diz Raposo, advertindo que “temos que conseguir distinguir aquilo que é a estupidez incrível do Trump, mas que está a um nível discursivo da realidade dos factos”.
“Um exemplo muito claro: ele tem dito que a NATO vai acabar. Mas as Lajes estão vazias? Não estão. Rammstein na Alemanha está vazia?”, questiona.
Esta sexta-feira, Zelensky vai firmar nos Estados Unidos um acordo com a administração Trump para a exploração de minerais pelos Estados Unidos, em troca de apoio norte-americano, com o Presidente Marcelo a alertar que não pode ser uma rendição disfarçada, já depois de Macron ter alertado para a eventual capitulação de Kiev.
“É um exagero da parte do Macron e de Marcelo. Acho que vivemos numa época um bocado estranha, porque a realidade é que estamos sempre a comentar o comentário que já era um comentário do comentário do comentário. Isto iria acontecer com a Kamala”, diz Raposo.
O comentador insiste que isto “iria acontecer com outros líderes europeus, porque estamos há três anos nisto, e há um empate. E quando há um empate nas guerras, há acordos de paz, há negociações”.
“Capitular, capitular foi o que o Obama fez em 2014. A guerra começou em 2014, quando a Rússia invadiu a Crimeia. Isso é que foi capitular. Em 2022, não capitulamos. Estamos a ajudar a Ucrânia no melhor, com o máximo possível. E mais, o cenário é um desastre para a Rússia. A Rússia já perdeu 700 mil homens”, destaca.
No seu espaço de comentário n’As Três da Manhã, Raposo assinala ainda que “a Ucrânia conseguiu manter 80% do seu território”, sublinhando que “é uma vitória para o Ocidente, para a Europa e para a Ucrânia”.
“Agora, temos que chegar a um acordo”, defende Raposo, apontando como passo seguinte “europeus e americanos, envolverem-se diretamente com a Rússia, na Ucrânia”.
Já em relação à posição da Europa, que sempre disse que há que preservar a integridade do território ucraniano, o comentador observa que “uma coisa é a teoria, outra coisa é a prática”.
“A Europa tem que saber, tem que se habituar, que entrou num período histórico, onde aquilo que tivemos durante 30 ou 40 anos foi uma paz histórica ou um momento pós-histórico; o fim da história, se quiser, acabou. E estamos a voltar àquilo que sempre existiu. Acordos de paz, divisão de território, etc”, lembra.