01 abr, 2025 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos
O comentador da Renascença João Duque considera que “é dia 1 de abril” dizer que para investir na defesa não é preciso cortar no Social. Em causa à entrevista exclusiva à Renascença do presidente do Conselho Europeu a garantir que a aposta na defesa europeia não implica redução dos apoios sociais.
“Eu acho que a expressão está fantástica, no dia certo, para dizer uma coisa destas”, atira o economista.
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João Duque recorda que o que se prevê, ou que está neste momento em cima da mesa, “são investimentos da ordem de 800 mil milhões de euros para a Europa reforçar investimento na área da inovação, defesa, descarbonização”.
“Isto terá um impacto muito significativo em todos os países da União Europeia. Só para termos uma ideia, se distribuirmos estes 800 mil milhões, que diz no relatório Draghi, que seriam por ano até termos atingido o objetivo, isto significa que Portugal, se distribuísse estes 800, se nos caísse uma cota correspondente ao nosso PIB na União Europeia, isto dava mais de 12 mil milhões de euros por ano de dívida adicional, ou, se fosse em proporção da população, nós teríamos que suportar quase 19 mil milhões de euros por ano”, observa.
Em entrevista exclusiva à Renascença, o presidente(...)
O professor universitário sublinha que “isto significa mais de um PRR por ano. Portanto, terá um efeito muito significativo e transformador na União Europeia”.
Questionado sobre se serão inevitáveis cortes em setores-chave como, eventualmente, na saúde e outros, Duque diz que isso “pode não ser no imediato”.
“Imagine que se aplicam três anos desta receita, ou correspondente a três anos, isto para nós atira-nos logo para mais 45 mil milhões de euros, o que é significativo”, assinala.
“Como é que vamos pagar isto? Bom, em princípio seria dívida da União Europeia, mas todos temos que solidariamente pagar de volta esta dívida. Ou aumentamos os impostos das pessoas, mas terá que ser significativo nas gerações subsequentes”, acrescenta.
No seu espaço de comentário n’As Três da Manhã, João Duque diz ainda que “António Costa está um bocadinho descansado, até porque ele não paga impostos sobre o rendimento dele, que é uma coisa absolutamente extraordinária”.
“Os colaboradores, os trabalhadores da União Europeia não pagam impostos. Quer dizer, pagam impostos nos seus países, em Portugal não pagam. E, portanto, isto significa que uma pessoa que está a pensar desta maneira, está a pensar que não tem rendimentos futuros afetados. Mas nós teremos”, sublinha, concluindo que a alternativa passa por “aumentar impostos” ou “reduzir as despesas com outras áreas, nomeadamente na área social”.