02 abr, 2025 - 21:12 • Ricardo Vieira , Pedro Mesquita , com Reuters
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Tocam os "tambores" da guerra comercial. O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que a partir de quinta-feira, 3 de abril, vão começar a ser aplicadas tarifas alfandegárias de 25% sobre carros fabricados no estrangeiros. Todos os produtos importados da União Europeia (UE) terão uma nova taxa de 20%.
“Este é o dia em que a América renasceu”, declarou Donald Trump, no chamado "Dia da Libertação", em que mostrou um quadro com as taxas "recíprocas" a serem aplicadas aos parceiros internacionais.
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Numa declaração nos jardins da Casa Branca, com membros da Administração e operários na plateia, o Presidente disse que dentro de minutos iria assinar uma ordem executiva para tarifas, em mais um passo da sua guerra comercial.
Donald Trump avança com uma nova vaga da tarifas, porque considera que a América foi “saqueada, pilhada e violada" relativamente às trocas comerciais.
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O Presidente norte-americano avança esta quarta-fe(...)
"O que fazem aos EUA nós vamos retaliar. As fábricas e os empregos vão regressar ao nosso país", declarou.
"A era dourada da América vai regressar muito em breve", garante Donald Trump.
O Presidente norte-americano detalhou depois algumas das tarifas aplicadas a outros países e blocos.
Todos os produtos importados da União Europeia (UE) terão uma nova taxa de 20%, Reino Unido 10% e Suíça 31%.
A China terá uma tarifa de 34%, Índia 26%, Coreia do Sul 25%, Japão 24%, Taiwan 32%, Vietname 46%, Camboja 49%, África do Sul 30%, Brasil 10%, Indonésia 32% e Singapura 10%, indica a agência Reuters.
As tarifas automóveis de 25%, que abrange viaturas, peças e também computadores, têm um valor de 600 mil milhões de dólares (555 mil milhões de euros), de acordo com as contas da agência Reuters.
Durante o seu discurso na Casa Branca, Donald Trump desafiou os líderes estrangeiros a reduzirem as suas tarifas e apelou à população para comprar produtos norte-americanos.
A Comissão Europeia deverá responder a esta nova onda de tarifas na quinta-feira de manhã.
A antecipar a decisão do Presidente norte-americano, as bolsas europeias registaram esta quarta-feira algumas perdas.
Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 regista uma descida de 1,5%.
O secretário britânico da Economia promete adotar uma abordagem calma à decisão do presidente dos EUA, de impor tarifas de 10% sobre os produtos do Reino Unido, enquanto o país tenta chegar a um acordo económico com Washington.
Guerra comercial
Presidente norte-americano ameaçou que vai impor t(...)
“Os EUA são o nosso aliado mais próximo, por isso a nossa abordagem é manter a calma e o compromisso de fazer este acordo, que esperamos que mitigue o impacto do que foi anunciado hoje”, disse Jonathan Reynolds, em comunicado após o anúncio das tarifas.
"Temos uma série de ferramentas à nossa disposição e não hesitaremos em agir. Continuaremos a colaborar com as empresas do Reino Unido, incluindo na sua avaliação do impacto de quaisquer medidas adicionais que tomarmos", declarou Reynolds.
O setor vinícola de França teme uma quebra de 20% nas vendas de bebidas alcoólicas para os Estados Unidos.
A estimativa sobre as importações de vinho e bebidas espirituosas foi avançada esta quarta-feira por Gabriel Picard, presidente do grupo industrial exportador de vinhos e destilados franceses FEVS, à BFM TV.
Por seu lado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil conversou esta quarta-feira por telefone com o representante de Comércio dos Estados Unidos sobre as tarifas ao aço e alumínio.
De acordo com uma nota do governo brasileiro, Mauro Vieira e Jamieson Greer conversaram "sobre temas da agenda comercial bilateral, como tarifas ao aço e alumínio, e o anúncio da imposição de tarifas recíprocas pelo governo norte-americano". Os contactos vão continuar nas próximas semanas.
As exportações portuguesas para os Estados Unidos têm vindo a aumentar e o país já é o quarto principal cliente.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o peso dos EUA nas exportações de Portugal passou de 5% em 2019 para 6,8% em 2023, com o país a ocupar a quarta posição entre os principais destinos das exportações portuguesas.
Borracha, cortiça, mas principalmente medicamentos. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações portuguesas fora da União Europeia e só ficam atrás de Espanha, França e Alemanha. O setor mais afetado por possíveis tarifas impostas por Donald Trump será o dos produtos farmacêuticos, que teve nos EUA o seu maior cliente fora de portas em 2023 e 2024.
Só no ano passado, até novembro, Portugal exportou mais de 4,9 mil milhões de euros em bens para os EUA. Destes, mais de 1,1 mil milhões foram em medicamentos. Só na última década, o peso das exportações para território norte-americano cresceu 30%.
Em declarações à Renascença, o presidente da Associação Empresarial de Portugal, Luís Miguel Ribeiro, recorda os cálculos do Banco de Portugal e conclui que o impacto das tarifas de Trump será “significativo”.
“O relatório do Banco de Portugal diz-nos que este impacto negativo corresponde a cerca de 40% do crescimento previsto para a economia portuguesa em 2025. São impactos diretos e indiretos, porque as tarifas vão provocar outras reações que podem depois impactar nos mercados financeiros, no custo do dinheiro e por isso nas taxas de juro, que terão efeitos nas matérias-primas.”
E como deve a União Europeia responder às tarifas de Trump, Luís Miguel Ribeiro defende que “reagir na mesma moeda não será a melhor estratégia”.
“A Europa será sempre mais afetada pelas taxas alfandegárias do que os Estados Unidos. O grau de abertura da economia europeia é de 97% e o grau de abertura ao exterior da economia americana é de 25%”, sublinha o presidente da Associação Empresarial de Portugal.
A Europa deve apostar fortemente na inovação, em desburocratizar o seu funcionamento e passar o processo de reindustrialização do discurso à prática, defende Luís Miguel Ribeiro.