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​Guerra comercial

Tarifas. Governo espera "resposta inteligente" a “política mercantilista” de Trump

03 abr, 2025 - 20:52 • Pedro Mesquita , Ricardo Vieira , Fábio Monteiro

Ministro dos Negócios Estrangeiros surpreendido com política da nova Administração norte-americana, "que vai ter consequências muito negativas na economia dos próprios Estados Unidos e na economia global".

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Trump declara guerra comercial ao mundo. "Esta é a nossa declaração de independência"
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A vaga de sanções anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos é “surpreendente” e “censurável”, afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

O chefe da diplomacia portuguesa, que falava aos jornalistas em Bruxelas, lamenta o regresso a uma “política mercantilista” que vai ter consequências negativas em todo o mundo.

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“É um pouco surpreendente que regressemos a uma política mercantilista, que vai ter consequências muito negativas na economia dos próprios Estados Unidos e na economia global. Esse é o ponto que nos parece altamente censurável. Tem de haver uma resposta inteligente”, declarou Paulo Rangel.

O ministro dos Negócios Estrangeiros falava à margem de uma reunião com os parceiros da NATO.

"Más notícias para o mundo"

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou na quarta-feira uma guerra comercial a meio mundo.

Numa declaração nos jardins da Casa Branca, Trump anunciou tarifas alfandegárias de 25% sobre carros fabricados no estrangeiros, uma medida que terá grande impacto na indústria europeia.

Além da taxa sobre as viaturas, todos os produtos importados da União Europeia (UE) terão uma nova taxa de 20%.

Além da UE, os Estados Unidos vão aplicar tarifas a outras nações. O Reino Unido terá uma taxa 10% e a China de 34%.

A partir do dia 9 de abril, os Estados Unidos vão aplicar tarifas de 20% para produtos importados da União Europeia e para o ministro da Economia, Pedro Reis, "são más notícias para o mundo".

Em entrevista à CNN Portugal esta quarta-feira à noite, o governante considerou este modelo de "tarifas recíprocas", apresentadas pelo Presidente norte-americano, "preocupante para a economia mundial".

Pedro Reis afirma que a resposta europeia tem de ser "firme e inteligente", mas o ministro também teme um "escalar" da guerra comercial caso sejam anunciadas medidas desproporcionais.

Como reagiram a China, a UE, o Japão e o Reino Unido às tarifas de Trump?
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EUA são o quarto maior cliente de Portugal

As exportações portuguesas para os Estados Unidos têm vindo a aumentar e o país já é o quarto principal cliente.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o peso dos EUA nas exportações de Portugal passou de 5% em 2019 para 6,8% em 2023, com o país a ocupar a quarta posição entre os principais destinos das exportações portuguesas.

Borracha, cortiça, mas principalmente medicamentos. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações portuguesas fora da União Europeia e só ficam atrás de Espanha, França e Alemanha. O setor mais afetado por possíveis tarifas impostas por Donald Trump será o dos produtos farmacêuticos, que teve nos EUA o seu maior cliente fora de portas em 2023 e 2024.

Só no ano passado, até novembro, Portugal exportou mais de 4,9 mil milhões de euros em bens para os EUA. Destes, mais de 1,1 mil milhões foram em medicamentos. Só na última década, o peso das exportações para território norte-americano cresceu 30%.

Republicanos desafiam Trump

Mas ainda há quem resista a Donald Trump: dois senadores dos Estados Unidos apresentaram, esta quinta-feira, uma proposta legislativa que pretende restringir a capacidade do Presidente norte-americano de impor tarifas comerciais sem a aprovação do Congresso.

O projeto, apresentado por Chuck Grassley, senador republicano, e Maria Cantwell, democrata, ambos membros do Comité de Finanças do Senado, estabelece que qualquer nova tarifa proposta pelo Presidente deve ser previamente notificada ao Congresso, acompanhada de uma explicação fundamentada e de uma análise do seu impacto económico sobre consumidores e empresas americanas.

Após essa notificação, o Congresso teria um prazo de 60 dias para aprovar uma resolução conjunta que validasse a tarifa. Se essa aprovação não ocorrer, a medida expira automaticamente.


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